domingo, 23 de agosto de 2009

The Moody Blues - On the Threshold of a Dream


O quinteto inglês, um dos pioneiros do rock progressivo, continuou a sua jornada experimental no mundo da música com o seu terceiro álbum, On the Threshold of a Dream. Justin Hayward, John Lodge, Mike Pinder, Ray Thomas e Graeme Edge mudaram um pouco suas influências para o seu terceiro álbum e o esforço se provou um grande sucesso, atingindo o primeiro lugar no Reino Unido, catapultando a banda, já conhecida do hits anteriores Nights in White Satin e Ride My See-Saw, ao topo, de onde ela não sairia nos próximos anos.

Após um começo no estilo British Invasion e um hit, Go Now, a banda reformulada entrou de cabeça na psicodelia e no nascente gênero do rock progressivo e inovou ao gravar um álbum experimental, conceitual, incluindo poesia, psicodelia, influências clássicas e, sobretudo, sendo o pioneiro na fusão do rock com um orquestra, com Days of Future Passed, que continha os hinos da banda Forever Afternoon (Tuesday?) e Nights in White Satin. Em seguida, abandonando a orquestra, a banda entrou em uma viagem espiritual, repleta de influências orientais em In Search of the Lost Chord.

Já em On the threshold of a dream, a banda voltou-se para influências ocidentais, com músicas experimentais, progressivas, mas que lembravam vagamente o passado Rhythm and Blues da banda. O álbum começa com um som contínuo eletrônico, como se fosse a representação do nada, que acaba transformado em um som maravilhoso extraído do Mellotron, como se fosse uma revelação, a criação. Segue uma música futuristica e filosófica, mantendo a tradição de misturar poesia com música, mas inovando ao dar componentes teatrais, pois a música não é um monólogo e sim uma conversa. Segue a bela Lovely to See You, uma música de Justin Hayward para levantar o humor do ouvinte. Em seguida, uma das melhores canções compostas por Ray Thomas, Dear Diary, com um instrumental dando um clima "noir" e a letra refletindo sobre um dia normal e desinteressante. Seguem duas excelentes composições de Lodge, a bela balada folk, Send Me No Wine e o excelente rock To Share Our Love, cantada com vigor por Mike Pinder. Pinder retorna com a bonita So Deep Within You, com um instrumental meio sombrio, grande uso do mellotron e boas linhas de flauta.

O segundo lado dessa obra começa com a bela composição de Hayward, Never Comes the Day, com belíssimos vocais e um excelente arranjo no violão. Segue o clima bem relaxante de Lazy Day, composição de Thomas com belos arranjos vocais, flauta e mais uma vez reflexões sobre acontecimentos da vida comum. Em seguida o álbum entra em uma viagem mística, primeiro com a bela Are You Sitting Comfortably, de Hayward e Thomas que remete às lendas arturianas. Em seguida, começa a suite definitiva do álbum, com um poema maravilhoso de Graeme Edge, The Dream, com tema surreal, seguido de uma das mais belas canções de amor já feitas, Have You Heard, com um trabalho belíssimo de mellotron. Entre as duas partes desta canção está The Voyage, a viagem instrumental definitiva da banda. Mike Pinder transforma seu mellotron em uma orquestra, literalmente, em uma belíssima peça clássica. O álbum termina com o mesmo som eletrônico contínuo do começo, encerrando um ciclo.

O público fez justiça ao disco e ele chegou ao topo da parada inglesa e foi o primeiro a conquistar a audiência americana, chegando no top 20. Após esse álbum, a banda fundou o próprio selo, chamado Threshold, em homenagem ao álbum. Com certeza uma das obras imperdíveis do ano de 1969, icônico para o classic rock.

Ficha técnica
The Moody Blues - On the Threshold of a Dream
1969 - Deram
Produtor: Tony Clarke

1- In The Beginning (Edge) 2:13
2- Lovely To See You (Hayward) 2:34
3- Dear Diary (Thomas) 3:56
4- Send Me No Wine (Lodge) 2:19
5- To Share Our Love (Lodge) 2:54
6- So Deep Within You (Pinder) 3:01
7- Never Comes The Day (Hayward) 4:43
8- Lazy Day (Thomas) 2:43
9- Are You Sitting Comfortably? (Hayward, Thomas) 3:30
10- The Dream (Edge) 0:58
11- Have You Heard (part 1) (Pinder) 1:40
12- The Voyage (Pinder) 3:58
13- Have You Heard (part 1) (Pinder) 2:32

Justin Hayward - Vocais, violão. guitarra, efeitos
John Lodge - Vocais, baixo, violoncelo
Ray Thomas - Vocais, gaita, flauta, pandeiro
Graeme Edge: Bateria, percussão, vocais
Mike Pinder: Vocais, mellotron, paino, orgão, violoncelo, cravo, efeitos

Avaliação Classic Rock Archives: 5 estrelas

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uriah Heep - Sweet Freedom


Após dois aclamados álbuns lançados em 1972, mais um aclamado e bem sucedido disco ao vivo, a banda inglesa Uriah Heep mudou um pouco a direção do seu som. Pela primeira vez com uma formação completamente estável, os integrantes da lendária banda de Hard Rock/Progressivo abandonaram os temas fantásticos dos dois álbuns anteriores, Demons and Wizards e Magician's Birthday e concentraram-se em temas variados, com uma pegada mais rock que progressiva, ainda que os toques progressivos apareçam frequentemente nos álbuns da banda até o fim da década de 70.

Para mostrar esse direcionamento novo, o álbum já começa com uma paulada rock 'n' roll. Dreamer possui um ritmo energético e Mick Box abusa do wah-wah, sua marca registrada. O órgão também é bem pesado e a música fica densa, com as distorções de guitarra e órgão. David Byron canta com vontade, deixando o ouvinte do álbum ligado. Já a segunda faixa foi a tentativa mais séria da banda de emplacar um hit nas paradas, mas infelizmente essa tentativa não deu tanto certo, pois a letra da música fez com que ela fosse banida das rádios mais conservadoras. Stealing, clássico da banda, começa com um baixo e órgão bem suaves. Byron conta as peripécias do sujeito que está sempre fugindo para salvar sua vida, após se envolver em encrencas com mulheres, brigas e bebidas. Após o refrão, a música entra com um riff bem pesado de orgão, solos de guitarra e a frase clássica "Stealing... when I should have been buying" é repetida inúmeras vezes, até grudar no cérebro do ouvinte. One Day é uma canção mais pesada e sombria, nos moldes dos primeiros trabalhos da banda, com órgão distorcido e guitarra wah-wah gritando alto. Em seguida vem a belíssima Sweet Freedom, com seis minutos e meio de duração, excelente introdução em "crescendo", belíssimas melodias de órgão, guitarra e vocais.

O segundo lado do vinil original começa com uma balada, If I Had the Time, com vocais delicados e uma melodia de sintetizador moog analógico durante toda a música, um grande feito do gênio Ken Hensley. Em contraste segue a pesada Seven Stars, abusando dos efeitos do órgão hammond e com um Lee Kerslake atacando a bateria com força total. Uns toques de wah-wah no refrão, belas melodias vocais dão um colorido especial à música, que termina com Byron recitando o alfabeto (!). Hora de dar uma diminuída no ritmo, e a balada semi-acústica Circus atinge em cheio o objetivo, com um belo arranjo de violão e congas e toques suaves de órgão e guitarra. E para finalizar com chave de outro, a banda encerra com Pilgrim, com mais de 7 minutos de duração, duas partes diferentes, excelente trabalho de piano, orgão, bateria, baixo e guitarra. A música é sombria e recria um clima de batalha na primeira parte e um clima de desolação na segunda, com tons de órgão que só Ken Hensley conseguia obter, solos agressivos de guitarra wah-wah e bateria e baixo destruidores.

Enfim, um álbum para qualquer fã de classic rock, progressivo e hard rock e pode ser incluído no rol dos álbuns essenciais dessa grande banda.

Ficha técnica
Uriah Heep - Sweet Freedom
1973 - Bronze
Produtores Gerry Bron

1- Dreamer (Thain, Box) 3:41
2- Stealin' (Hensley) 4:49
3- One Day (Hensley, Thain) 2:47
4- Sweet Freedom (Hensley) 6:37
5- If I Had the Time (Hensley) 5:43
6- Seven Stars (Hensley) 3:52
7- Circus (Thain, Box, Kerslake) 2:44
8- Pilgrim (Hensley, Byron) 7:10

David Byron - Vocais.
Mick Box - Guitarra, violão.
Ken Hensley - Piano, órgão hammond, moog, guitarra slide, vocais.
Gary Thain - Baixo.
Lee Kerslake - Bateria, percussão, vocais.

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Traffic - Shoot Out at the Fantasy Factory


Depois de um ano meio morno principalmente por causa dos problemas de saúde do líder Steve Winwood, o Traffic voltou aos estúdios para um novo álbum e, em 1973, lançou o que seria o melhor disco feito pela banda. Inspirado fortemente no predecessor The Low Spark of High Heeled Boys, a começar pela capa semelhante, o Traffic evoluir na qualidade das composições. Houve também mudanças de formação, acrescentando a cozinha do famoso Muscle Shoals Studio em substituição a Jim Gordon e Rich Grech que deixaram a banda.

A composição das faixas é dominada pela dupla Winwood e Capaldi, que compuseram todas as faixas juntos, exceto pela excelente instrumental Tragic Magic, composta por Chris Wood, com excelente solos de guitarra e saxofone. Já as demais músicas são bastante ao estilo de Winwood, começando com a pesada Shoot Out at the Fantasy Factory, contando com um riff de guitarra bem pesado, combinado com o ritmo funkeado provido pela percussão. A canção seguinte e a obra-prima da carreira do Traffic. Roll Right Stones, uma canção espiritual inspirada em um monumento neolítico britânico, aos moldes do famoso Stonehenge, é sem dúvida a melhor música da banda, com arranjos perfeitos e uma melodia vocal impecável por parte de Steve Winwood. Essa é uma música que se você escutar com atenção, vai ver como diversos elementos são encaixados na base principal de forma brilhante, criando uma obra-prima. As outras músicas são duas músicas melancólicas. Evening Blue tem excelente vocais por Winwood e um belo arranjo instrumental, baseado no violão, perfeitamente integrado com o baixo e percussão, com a adição de excelentes toques de orgão, saxofone e guitarras. Já (Sometimes I Feel So) Uninspired vai de encontro com o título, contendo um excelente arranjo de piano e orgão, bons solos de guitarra e uma percussão bem integrada com o ritmo da música. Winwood consegue transmitir o clima da música através da sua voz.

1973 foi mesmo um ano muito bom para o Traffic, com essa obra prima e o excelente álbum duplo ao-vivo On the Road, com uma versão matadora de 20 minutos para Glad/Freedom Rider, do também clássico John Barleycorn Must Die que vai ganhar uma resenha em breve no nosso blog. E Shoot Out at the Fantasy Factory, na minha opinião, coroou a carreira dessa excelente banda.

Ficha Técnica

Traffic - Shoot Out at the Fantasy Factory
1973 - Island
Produtores: Steve Winwood, Jim Capaldi

1- Shoot Out at the Fantasy Factory (Winwood / Capaldi) 6:05
2- Roll Right Stones (Winwood / Capaldi) 13:40
3- Evening Blue (Winwood / Capaldi) 5:19
4- Tragic Magic (Wood) 6:43
5- (Sometimes I Feel So) Uninspired (Winwood / Capaldi) 7:31

- Steve Winwood - vocais, guitarra, piano, órgão
- Chris Wood - saxofone, flauta
- Jim Capaldi - percussão, violão, vocais
- David Hood - baixo
- Roger Hawkins - bateria
- Reebop Kwaku Baah - congas, percussão
+ Barry Beckett - teclados
+ Jimmy Johnson - guitarra

Avaliação Classic Rock Archives: 5 estrelas