terça-feira, 26 de maio de 2009

Uriah Heep - Sweet Freedom


Após dois aclamados álbuns lançados em 1972, mais um aclamado e bem sucedido disco ao vivo, a banda inglesa Uriah Heep mudou um pouco a direção do seu som. Pela primeira vez com uma formação completamente estável, os integrantes da lendária banda de Hard Rock/Progressivo abandonaram os temas fantásticos dos dois álbuns anteriores, Demons and Wizards e Magician's Birthday e concentraram-se em temas variados, com uma pegada mais rock que progressiva, ainda que os toques progressivos apareçam frequentemente nos álbuns da banda até o fim da década de 70.

Para mostrar esse direcionamento novo, o álbum já começa com uma paulada rock 'n' roll. Dreamer possui um ritmo energético e Mick Box abusa do wah-wah, sua marca registrada. O órgão também é bem pesado e a música fica densa, com as distorções de guitarra e órgão. David Byron canta com vontade, deixando o ouvinte do álbum ligado. Já a segunda faixa foi a tentativa mais séria da banda de emplacar um hit nas paradas, mas infelizmente essa tentativa não deu tanto certo, pois a letra da música fez com que ela fosse banida das rádios mais conservadoras. Stealing, clássico da banda, começa com um baixo e órgão bem suaves. Byron conta as peripécias do sujeito que está sempre fugindo para salvar sua vida, após se envolver em encrencas com mulheres, brigas e bebidas. Após o refrão, a música entra com um riff bem pesado de orgão, solos de guitarra e a frase clássica "Stealing... when I should have been buying" é repetida inúmeras vezes, até grudar no cérebro do ouvinte. One Day é uma canção mais pesada e sombria, nos moldes dos primeiros trabalhos da banda, com órgão distorcido e guitarra wah-wah gritando alto. Em seguida vem a belíssima Sweet Freedom, com seis minutos e meio de duração, excelente introdução em "crescendo", belíssimas melodias de órgão, guitarra e vocais.

O segundo lado do vinil original começa com uma balada, If I Had the Time, com vocais delicados e uma melodia de sintetizador moog analógico durante toda a música, um grande feito do gênio Ken Hensley. Em contraste segue a pesada Seven Stars, abusando dos efeitos do órgão hammond e com um Lee Kerslake atacando a bateria com força total. Uns toques de wah-wah no refrão, belas melodias vocais dão um colorido especial à música, que termina com Byron recitando o alfabeto (!). Hora de dar uma diminuída no ritmo, e a balada semi-acústica Circus atinge em cheio o objetivo, com um belo arranjo de violão e congas e toques suaves de órgão e guitarra. E para finalizar com chave de outro, a banda encerra com Pilgrim, com mais de 7 minutos de duração, duas partes diferentes, excelente trabalho de piano, orgão, bateria, baixo e guitarra. A música é sombria e recria um clima de batalha na primeira parte e um clima de desolação na segunda, com tons de órgão que só Ken Hensley conseguia obter, solos agressivos de guitarra wah-wah e bateria e baixo destruidores.

Enfim, um álbum para qualquer fã de classic rock, progressivo e hard rock e pode ser incluído no rol dos álbuns essenciais dessa grande banda.

Ficha técnica
Uriah Heep - Sweet Freedom
1973 - Bronze
Produtores Gerry Bron

1- Dreamer (Thain, Box) 3:41
2- Stealin' (Hensley) 4:49
3- One Day (Hensley, Thain) 2:47
4- Sweet Freedom (Hensley) 6:37
5- If I Had the Time (Hensley) 5:43
6- Seven Stars (Hensley) 3:52
7- Circus (Thain, Box, Kerslake) 2:44
8- Pilgrim (Hensley, Byron) 7:10

David Byron - Vocais.
Mick Box - Guitarra, violão.
Ken Hensley - Piano, órgão hammond, moog, guitarra slide, vocais.
Gary Thain - Baixo.
Lee Kerslake - Bateria, percussão, vocais.

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas.

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