quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Simon & Garfunkel - Sounds of Silence


Depois de um bom álbum de estréia que passou despercebido pela crítica e pelo público americano, Paul Simon e Arthur Garfunkel desfizeram a dupla que mantinham desde jovens. A dupla parecia fadada ao ostracismo, uma vez que Paul Simon embarcou para a Inglaterra para tentar carreira solo, onde gravou um álbum que também não recebeu muita atenção.

Entretanto, um produtor espertinho resolveu remixar uma música da dupla que estava recebendo um pouco de atenção em algumas rádios americanas. O produtor incluiu baixo, guitarra e bateria na canção Sounds of Silence, para dar um toque mais folk-rock à canção originalmente folk acústica e relançou-a sem a permissão dos artistas. E para a sorte da ex-dupla, essa versão emplacou no mercado americano, fazendo com que Simon voltasse para os EUA a fim de ressucitar a parceria com seu amigo de longa data Garfunkel. Dessa reunião, saiu o álbum Sounds of Silence, que alçou a dupla ao estrelato e se tornou um clássico do folk-rock.

Além da já mencionada Sounds of Silence, o álbum contou com um conjunto de músicas folk tradicionais, folk-rock e até com um pé na psicodelia. Das músicas folk tradicionais, destaque para Kathy's Song, uma homenagem para a namorada de Paul Simon, que preferiu ficar na Inglaterra quando Simon decidiu voltar para os Estados Unidos e encerrou o relacionamento dos dois. Ela seria tema recorrente nas músicas de Simon durante algum tempo. Anji é uma instrumental bem interessante, mostrando todo o talento de Simon com o violão. Há uma seqüência curiosa de duas músicas seguidas sobre o tema de suicídio. Richard Cory tem um clima bem folk-rock de protesto, similar ao Dylan em sua fase eletrificada. Já A Most Peculiar Man é bem mais melódica, com belo arranjo de órgão, violão e vocais, dando um ar bem triste para a música. Já a última música também foi um grande sucesso para a banda, o folk-rock the I Am a Rock.

Com esse disco, os nomes de Paul Simon e Arthur Garfunkel foram marcados na história do rock e eles se tornaram uns dos artistas mais influentes do fim da década de 60.

Simon & Garfunkel - Sounds of Silence
1966 - Columbia
Produtor: Bob Johnston

1- The Sound of Silence (Simon) 3:08
2- Leaves That Are Green (Simon) 2:23
3- Blessed (Simon) 3:16
4- Kathy's Song (Simon) 3:21
5- Somewhere They Can't Find Me (Simon) 2:37
6- Anji (Davey Graham) 2:17
7- Richard Cory (Simon) 2:57
8- A Most Peculiar Man (Simon) 2:34
9- April Come She Will (Simon) 1:51
10- We've Got a Groovey Thing Goin' (Simon) 2:00
11- I Am a Rock (Simon) 2:50

- Paul Simon: vocais, violão
- Art Garfunkel: vocais
- Glen Campbell: guitarra
- Hal Blaine: Bateria e percussão

+ músicos não creditados: orgão, cravo, metais, baixo

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Grateful Dead - Anthem of the Sun


Após o primeiro álbum, psicodélico e experimental, o Grateful Dead queria levar o experimentalismo da banda a outros níveis. Com a inclusão de um segundo baterista, Mickey Hart, e o auxílio de um pianista com ligação avant-garde, Tom Constanten, que eventualmente seria efetivado como membro da banda, a trupe de Jerry Garcia iniciou um trabalho de experimentalismo em estúdio. No início, a experimentação era tão forte que nada de produtivo foi feito e a banda teve que tomar uma abordagem inédita para a criação do clássico psicodélico Anthem of the Sun. A banda ensaiou as músicas, caiu na estrada levando um gravador, gravou versões embrionárias das músicas e retornou aos estúdios para completá-las com inúmeros overdubs. Em algumas músicas, as partes ao vivo são mais identificáveis, enquanto em outras a colagem de sons ficou tão complexa que é difícil dizer o que foi gravado ao vivo e o que foi gravado em estúdio.

De todo esse caos, surgiu um dos álbuns mais interessantes da psicodelia. Anthem of the Sun é um álbum único, com longas jams misturadas a efeitos de estúdio, muitas variações e passagens cuidadosamente compostas. A música de abertura. That's It For The Other One, começa com toques folk, provavelmente em estúdio, descambando em uma jam session ao vivo, com um excelente duelo entre guitarra e orgão e voltando para o estúdio, para adicionar efeitos avant-garde ao final da música. New Potato Caboose também segue a mesma filosofia, com excelentes arranjos instrumentais no início, incluindo belas harmonias vocais. Em seguida, a música descamba para uma Jam Session, com solos impressionantes de guitarra. Born Cross-Eyed vem em seqüência, com belo trabalho de guitarras, orgão e percussão. Ela é curta, principalmente comparada às outras músicas, que tem todas mais de 7 minutos. Em seguida vem Alligator, a maior e mais conhecida música do álbum, que, durante muito tempo, figurou nos concertos da banda. A música é claramente baseada em uma versão ao vivo, com vários overdubs de guitarra, piano e vocais. O trabalho de guitarras é incansável, dando espaço apenas para o solo de bateria. A primeira parte da música é a mais organizada, contendo a letra maluca, arranjos bem elaborados e vários efeitos de estúdio. Em seguida a música também descamba para uma Jam Session, com longos solos de bateria e guitarra. Já a última música, Caution (Do Not Stop On Tracks) é praticamente uma Jam Session, cheia de efeitos de feedback de guitarras, solos e um bom trabalho percussivo.

Enfim, é um trabalho revolucionário e fez com que Garcia remixasse o álbum nos anos 70, para torná-lo mais limpo. Entretanto, foi a versão original que vingou e esse clássico da psicodelia pode ser conferido integralmente, ao contrário do disco seguinte, Aoxomoxoa, que também foi remixado e a versão remixada prevalesceu em todas as reedições posteriores.

Ficha técnica
Grateful Dead - Anthem of the Sun
1968 - Warner Bros. Records
Produtores: Grateful Dead e David Hassinger

1- That's It for the Other One 7:46
- Cryptical Envelopment (Garcia)
- Quodlbiet for Tenderfeet (Garcia/Kreutzmann/Lesh/McKernan/Weir)
- The Faster We Go, The Rounder We Get (Kreutzmann/Weir)
- We Leave the Castle (Constanten)
2- New Potato Caboose (Lesh/Petersen) 8:18
3- Born Cross-Eyed (Weir) 2:04)
4- Alligator (Lesh/McKernan/Hunter) 11:20
5- Caution (Do Not Stop on Tracks) (Garcia/Kreutzmann/Lesh/McKerman/Weir) 9:51

Jerry Garcia - Guitarra, violão, kazoo, vibra slap, vocais.
Bob Weir - Guitarra, violão de 12 cordas, violão, kazoo, vocais.
Ron McKernan - orgão, celeste, clavicórdio, vocais.
Phil Lesh - baixo, trompete, cravo, reco-reco, kazoo, piano, tímpano, vocais.
Bill Kreutzmann - bateria, sinos de orquestra, gongo, carrilhão, crotalos, piano preparado, cimbalos de dedo .
Mickey Hart - bateria, sinos de orquestra, gongo, carrilhão, crotalos, piano preparado, cimbalo de dedo.
Tom Constanten - piano, eletrônicos, piano preparado.

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas.