quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Grateful Dead - Anthem of the Sun


Após o primeiro álbum, psicodélico e experimental, o Grateful Dead queria levar o experimentalismo da banda a outros níveis. Com a inclusão de um segundo baterista, Mickey Hart, e o auxílio de um pianista com ligação avant-garde, Tom Constanten, que eventualmente seria efetivado como membro da banda, a trupe de Jerry Garcia iniciou um trabalho de experimentalismo em estúdio. No início, a experimentação era tão forte que nada de produtivo foi feito e a banda teve que tomar uma abordagem inédita para a criação do clássico psicodélico Anthem of the Sun. A banda ensaiou as músicas, caiu na estrada levando um gravador, gravou versões embrionárias das músicas e retornou aos estúdios para completá-las com inúmeros overdubs. Em algumas músicas, as partes ao vivo são mais identificáveis, enquanto em outras a colagem de sons ficou tão complexa que é difícil dizer o que foi gravado ao vivo e o que foi gravado em estúdio.

De todo esse caos, surgiu um dos álbuns mais interessantes da psicodelia. Anthem of the Sun é um álbum único, com longas jams misturadas a efeitos de estúdio, muitas variações e passagens cuidadosamente compostas. A música de abertura. That's It For The Other One, começa com toques folk, provavelmente em estúdio, descambando em uma jam session ao vivo, com um excelente duelo entre guitarra e orgão e voltando para o estúdio, para adicionar efeitos avant-garde ao final da música. New Potato Caboose também segue a mesma filosofia, com excelentes arranjos instrumentais no início, incluindo belas harmonias vocais. Em seguida, a música descamba para uma Jam Session, com solos impressionantes de guitarra. Born Cross-Eyed vem em seqüência, com belo trabalho de guitarras, orgão e percussão. Ela é curta, principalmente comparada às outras músicas, que tem todas mais de 7 minutos. Em seguida vem Alligator, a maior e mais conhecida música do álbum, que, durante muito tempo, figurou nos concertos da banda. A música é claramente baseada em uma versão ao vivo, com vários overdubs de guitarra, piano e vocais. O trabalho de guitarras é incansável, dando espaço apenas para o solo de bateria. A primeira parte da música é a mais organizada, contendo a letra maluca, arranjos bem elaborados e vários efeitos de estúdio. Em seguida a música também descamba para uma Jam Session, com longos solos de bateria e guitarra. Já a última música, Caution (Do Not Stop On Tracks) é praticamente uma Jam Session, cheia de efeitos de feedback de guitarras, solos e um bom trabalho percussivo.

Enfim, é um trabalho revolucionário e fez com que Garcia remixasse o álbum nos anos 70, para torná-lo mais limpo. Entretanto, foi a versão original que vingou e esse clássico da psicodelia pode ser conferido integralmente, ao contrário do disco seguinte, Aoxomoxoa, que também foi remixado e a versão remixada prevalesceu em todas as reedições posteriores.

Ficha técnica
Grateful Dead - Anthem of the Sun
1968 - Warner Bros. Records
Produtores: Grateful Dead e David Hassinger

1- That's It for the Other One 7:46
- Cryptical Envelopment (Garcia)
- Quodlbiet for Tenderfeet (Garcia/Kreutzmann/Lesh/McKernan/Weir)
- The Faster We Go, The Rounder We Get (Kreutzmann/Weir)
- We Leave the Castle (Constanten)
2- New Potato Caboose (Lesh/Petersen) 8:18
3- Born Cross-Eyed (Weir) 2:04)
4- Alligator (Lesh/McKernan/Hunter) 11:20
5- Caution (Do Not Stop on Tracks) (Garcia/Kreutzmann/Lesh/McKerman/Weir) 9:51

Jerry Garcia - Guitarra, violão, kazoo, vibra slap, vocais.
Bob Weir - Guitarra, violão de 12 cordas, violão, kazoo, vocais.
Ron McKernan - orgão, celeste, clavicórdio, vocais.
Phil Lesh - baixo, trompete, cravo, reco-reco, kazoo, piano, tímpano, vocais.
Bill Kreutzmann - bateria, sinos de orquestra, gongo, carrilhão, crotalos, piano preparado, cimbalos de dedo .
Mickey Hart - bateria, sinos de orquestra, gongo, carrilhão, crotalos, piano preparado, cimbalo de dedo.
Tom Constanten - piano, eletrônicos, piano preparado.

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas.

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