quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tim Buckley - Goodbye And Hello

Após um álbum de estréia sólido, numa mistura de folk e rock, Tim Buckley alçou um vôo mais alto em sua carreira com seu segundo álbum, o aclamado Goodbye and Hello. Nesse álbum, Tim Buckley deixa um pouco de lado a simplicidade das músicas entre dois e três minutos que eram norma da época e começa a se utilizar de recursos e estruturas cada vez mais experimentais, que iriam culminar com uma série de álbuns experimentais e pouco comerciais que vieram à seguir, como Happy / Sad, Lorca, Blue Afternoon e Starsailor.

Ainda seguindo com a parceira com Larry Beckett na composição, Tim Buckley traz um misto de folk, rock, psicodelia e influências clássicas também, coisa que não era nada incomum na época em que o disco foi gravado e lançado (1967), mas ao contrário de muitas bandas que ainda estavam no ciclo inicial da revolução da contracultura ao acrescentar instrumentos exóticos e efeitos de estúdio em seus rocks básicos de sempre, Buckley já estava entre os líderes da mudança. E nada melhor do que a faixa título do álbum, que além de chegar quase ao nove minutos de duração e contar com orquestração completa, ainda possui um jogo intrincadíssimo de versos no refrão, onde um padrão é intercalado com frases novas, que se encaixam perfeitamente ao contexto da sequência padrão. Outros momentos experimentais do álbum incluem a totalmente lisérgica Hallucinations, que mistura violões ácidos e efeitos especiais com uma performance vocal melancólica e assustadora.

Outro elemento bastante presente na música de Buckley em Goodbye and Hello é a influência de música tradicional, como Carnival Song, que remete à música popular dos séculos anteriores e a medieval Knight-Errant, ambas com um belo arranjo de órgão or harmônio. A crítica à guerra também se faz presente na faixa bombástica inicial, No Man Can Find the War, e a delicada Once I Was. Aliás, a forma como Buckley alterna delicadas melodias como Once I Was, Phantasmagoria in Two e Morning Glory com músicas mais agressivas como a bem psicodélica Pleasant Street e o lamento folk-ácido de I Never Asked to be Your Mountain dão um toque especial ao disco.

O álbum recebeu boas críticas e teve uma recepção comercial moderada, ajudando a cementar a reputação do jovem cantor como grande promessa do folk rock, reputação que ele faria questão de demolir nos álbuns seguintes com músicas cada vez mais experimentais e baseadas no free-jazz e na música avant-garde. Hoje em dia, Goodbye And Hello costuma ser visto como o melhor da obra de Buckley, ao lado do experimental Starsailor. E é certamente um álbum que merece ser apreciado pelos fãs de folk, rock e psicodelia.

Ficha técnica

Tim Buckley - Goodbye and Hello
1967 - Elektra
Produtor: Jerry Yester

1- No Man Can Find the War (Larry Beckett, Buckley) – 2:59
2- Carnival Song (Buckley) 3:12
3- Pleasant Street (Buckley) 5:17
4- Hallucinations (Beckett, Buckley) 4:53
5- I Never Asked to Be Your Mountain (Buckley) 6:05
6- Once I Was (Buckley) 3:23
7- Phantasmagoria in Two (Buckley) 3:28
8- Knight-Errant (Beckett, Buckley) 1:59
9- Goodbye and Hello (Beckett, Buckley) 8:42
10- Morning Glory (Beckett, Buckley) 2:49

Tim Buckley – vocais, violões, guitarras, vibrafone
Lee Underwood – guitarras
John Farsha – guitarras
Brian Hartzler – guitarras
Jim Fielder – baixo
Jimmy Bond – baixo
Don Randi – piano, cravo, harmônio
Henry Diltz – gaita
Jerry Yester – piano, orgão, harmônio
Carter Collins – congas, percussão
Dave Guard – percussão
Eddie Hoh – percussão

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas

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