quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Jethro Tull - Thick As a Brick

Para o que começou como uma brincadeira e acabou se transformando na grande obra-prima do rock progressivo, podemos dizer que esse tal de Ian Anderson possui um magnífico senso de humor.


Em 1971, o Jethro Tull finalmente atingiu o sucesso e a aclamação crítica com o álbum Aqualung, que contém inúmeros clássicos da banda como a faixa título, Cross-Eyed Mary, Mother Goose, My God, Hymn 43, Locomotive Breath e Wind Up, todas figuras marcadas nos shows da banda. Com um estilo mais pesado e progressivo, evoluindo das raízes blues e folk da banda, o álbum caiu no gosto do público acostumado à experimentação típica do começo da década de 70 e logo foi taxado como um grande álbum conceitual pela imprensa. Ian Anderson se incomodou com o rótulo, pois apesar de algumas músicas do álbum revolverem sobre o mesmo tema, ele não havia realmente pensado em Aqualung como um álbum conceitual. Sua resposta então foi fazer um álbum definitivamente conceitual para agradar os críticos.

Só que a resposta de Ian Anderson e seus colegas não poderia ser um simples álbum conceitual qualquer. A idéia de álbum conceitual do Jethro Tull veio na forma de uma música de quase quarenta e cinco minutos, baseada em um poema abstrato com humor mordaz, e críticas generalizadas, alegadamente escrito por um garoto de 8 anos para um concurso de poesia juvenil de uma cidade pequena. E, para suportar a teoria do poema escrito pelo garoto, um jornal inteiro foi escrito e serviu como capa para o disco, com diversas piadas e tiradas mordazes além da história principal. A história anunciava a desclassificação do poema do garoto-gênio, apelidado de "pequeno Milton" (em referência ao autor de Paraíso Perdido, considerado o maior poema em língua inglesa da história) no último minuto após ele ter sido agraciado com o título no concurso de poesias juvenis de St. Cleve, pois seu poema foi considerado controverso e inclusive ofensivo. Após toda a repercussão, o Jethro Tull teria concordado em gravar uma versão musicada do poema. E o jornal, além de se tornar uma capa de disco lendária e item de colecionador, demorou mais para ser confeccionada pelos membros da banda do que o disco em si.

Musicalmente, a obra não deixou por menos. Composta de diversos movimentos interligados, com alguns motivos principais que são repetidos ao longo da obra, ligados por extensas passagens instrumentais que passam pelo rock progressivo, música clássica e até improvisações free-jazz e experimentais. O som do álbum traz a mistura de rock progressivo, folk e clássico pelo qual o Jethro Tull se tornaria bastante conhecido, com um destaque muito grande para os teclados de John Evan, que até então havia sido mais um músico de apoio, apenas efetivado no álbum anterior. Em Thick as a Brick, nas longas e intrincadas passagens musicais, o órgão é a espinha dorsal da obra.

Já em relação à letra, a obra passa por diversos temas que em princípio se refeririam aos desafios da passagem da infância para a vida adulta, mas que acabam se generalizando, de passagens épicas a reflexões filosóficas, e também por assuntos mais mundanos. Há passagens peoticamente densas contrastando com temas mais triviais e simples, que tornam crível a teoria de que um garoto escreveu tal poema. Há muitas passagens com fortes alegorias, bastante abstratas, e também muita ironia e sarcasmo, criticando grupos, pessoas e toda a sociedade em si. E a música sempre casa muito bem com a letra, de forma a termos passagens pais abstratas acompanhadas de delicados arranjos de violões e flauta e linahs de órgão melódicas contrastando com riffs mais agressivos de guitarra, órgão, saxofone acompanhados por uma bateria feroz em partes mais sérias e agressivas da letra.

Por fim, a execução do álbum é tão perfeita que, a despeito de ser uma música só de quarenta e cinco minutos, a obra consegue ser muito mais palatável para pessoas fora do meio do rock progressivo que outros álbuns clássicos do gênero. Ian Anderson e seus colegas de banda conseguiram fazer a obra definitiva do rock progressivo, bombástica como ela deveria ser, e sem soar pretensiosa demais. E toda essa perfeição musical se torna demais quando nós pensamos que tudo isso começou como apenas uma resposta irônica aos críticos musicais da época.

Ficha Técnica

Jethro Tull - Thick As a Brick
1972 - Chrysalis
Produtor: Ian Anderson

1- Thick As a Brick (part one) 22:39
2- Thick As a Brick (part two) 21:09

Ian Anderson - vocais, violão, flauta, saxofone, trompete, violino
Martin Barre - guitarra, alaúde
Jeffrey Hammond-Hammond - baixo, vocais
John Evan - piano, orgão, cravo
Barriemore Barlow – bateria, percussão, tímpano
+David Palmer - arranjos de metais e cordas

Avaliação Classic Rock Archives: 5 estrelas

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

The Kinks - The Kinks Are The Village Green Preservation Society

Algumas coisas que acontecem no mundo da música são inexplicáveis e é o caso desse álbum, que por algum motivo inexplicável foi um grande fracasso na época de seu lançamento e hoje é figura certa nas listas de melhores álbuns já feitos, além de ser o álbum de estúdio da banda melhor sucedido comercialmente, passados quase quarenta e cinco anos de seu lançamento.

The Kinks é uma banda bastante conhecida do movimento British Invasion da década de 60. Capitaneada pelos irmãos Ray e Dave Davies, o quarteto foi logo alçado ao estrelato com músicas pesadas e ousadas como o grande sucesso You Really Got Me, ou All Day and All of the Night. Guitarras distorcidas, vocais agressivos e uma atitude rebelde garantiram um lugar de destaque ao quarteto em meio a tantas bandas que
surgiram na Inglaterra na década de 60, além de um banimento por quatro anos nos Estados Unidos.

Em seguida, a banda mostrou uma veia mais melódica com Face to Face e Something Else, que coincidiram com uma queda da popularidade da banda. No entanto, Ray Davies não queria saber de voltar para o estilo antigo e rebelde da banda, pois suas músicas haviam se tornado mais maduras, refinadas e complexas. E os discos anteriores eram apenas uma preparação para um projeto que ele tinha em mente desde 66, chamado de Village Green. E o álbum The Kinks Are the Village Green Preservation Society, de 68, foi a concretização desse projeto intimista do líder da banda, que não foi bem compreendido na época, mas que hoje é considerado a obra-prima do The Kinks e também se tornou ao longo do tempo o álbum de carreira banda mais vendido.

O projeto era tão importante para Ray Davies que inicialmente ele foi fechado em 12 canções, versão lançada em alguns países da Europa e na Australia, mas ele decidiu alterar o projeto e negociar um álbum duplo, que foi rejeitado pela gravadora, que concordou em lançar um álbum com 15 títulos, retrabalhado e aperfeiçoado por Davies.

O tema do álbum conceitual é um retorno às origens, uma nostalgia da vida simples interiorana da Inglaterra. O disco começa com a música Village Green Preservation Society, com um som leve e psicodélico e uma letra cheia de humor, sobre sociedades e organizações que defendem valores e coisas consideradas antiquadas. Segue-se uma ode a amizade juvenil que desaparece com o passar do tempo em Do You Remember Walter? e Picture Book, que faz uma apologia e crítica mordaz ao hábito de tirar fotos para preservar o passado.

O tema ainda se repete no blues de raiz The Last of Steam Powered Trains, comentando sobre uma tecnologia que se torna obsoleta; Animal Farm, uma música bucólica com belos arranjos orquestrais todo feito em mellotron, em cujo protagonista mostra um desejo de viver na proteção da vida simples rural em face aos desafios do mundo; Village Green, uma canção "baroque-pop" que deu origem ao projeto do álbum, e que lida com os sentimentos do protagonista ao voltar para a pequena vila rural em que passou a infância, com mais ironias típicas de Ray Davies em relação à simplicidade da vida rural; Starstruck, uma balada recheada de mellotrons na qual o protagonista reclama que sua amada está se perdendo por estar fascinada com a vida na cidade; e, por fim, People Take Pictures of Each other, que remete ao tema de Picture Book, mas dessa vez criticando mais diretamente o hábito de tirar fotos.

Outros temas tratados no disco são bem conhecidos dos fãs da banda: a contemplação da vida, presente em Big Sky, cujo som é totalmente inspirado em Hendrix e Sitting By the Riverside, que tem um som bem bucólico com toques psicodélicos, e a músicas sobre personagens a parte da sociedade, como a psicodélica Johnny Thunder e Wicked Annabella, com um som mais pesado, característico dos primórdios da banda. Além disso ainda tem a humorosa Monica, influenciada por ritmos latinos; All My Friends Were There, um misto de "baroque-pop" e psicodelia sobre o medo do palco; e por fim a totalmente estranha Phenomenal Cat, que parece ter saído da mente de Syd Barrett, e cujo resultado ficou bem interessante.

Musicalmente, o disco é composto de rocks básicos e baladas com traços de psicodelia e alguns blues, bem comuns para a época. Esse talvez tenha sido um dos fatores que contribuiram para a fraca recepção do disco, pois ele parece um disco velho para a época. Afinal, em fins de 1968, boa parte das grandes bandas já tinham mergulhado de cabeça no rock psicódelico (incluindo Beatles, Stones, The Who, Moody Blues entre os contemporâneos do Kinks) e voltado, ou movido de vez para o rock progressivo. Já o Kinks parecia estar preso ao "som de 66". Além disso, ao invés de temas típicos da contracultura como temas anti-bélicos, protestos contra o conservadorismo, misticismo oriental e pregação da paz mundial, o Kinks apresentava temas mundanos e tipicamente ingleses. No entanto a recepção da época se provou totalmente injusta com a obra, pois em geral são músicas muito sólidas e inventivas, capitaneadas pela musicalidade de Ray Davies, além de um belo trabalho de teclados de Davies e Nicky Hopkins. Vale notar que tirando Village Green, todos os sons de instrumentos de corda e sopro foram tirados do mellotron. Felizmente, com o passar do tempo, essa coleção de músicas bastante agradáveis obteve o seu reconhecimento como uma das pérolas produzidas nesse período tão mágico para o rock e para a música popular em geral que vai de meados da década de 60 até meados da década de 70, deixando pra trás muito da picaretagem da contracultura que ofuscou o álbum na época de seu lançamento, e se tornando um clássico atemporal.

Ficha técnica

Ficha técnica


The Kinks - The Kinks Are the Village Green Preservation Society
1968 - Pye
Produtor: Ray Davies
1- The Village Green Preservation Society (Ray Davies) 2:50
2- Do You Remember Walter? (Davies)  2:27
3- Picture Book (Davies) 2:39
4- Johnny Thunder (Davies) 2:32
5- Last of the Steam-powered Trains (Davies) 4:13
6- Big Sky (Davies) 2:53
7- Sitting by the Riverside (Davies) 2:24
8- Animal Farm (Davies) 3:01
9- Village Green (Davies) 2:11
10- Starstruck (Davies) 2:22
11- Phenomenal Cat (Davies) 2:39
12- All of My Friends Were There (Davies) 2:25
13- Wicked Annabella (Davies) 2:44
14- Monica (Davies) 2:17
15 - People Take Pictures of Each Other (Davies) 2:11

Ray Davies- guitarra, violão, vocais, gaita, piano, orgão
Dave Davies- guitarra, vocais
Pete Quailfe- baixo, vocais
Mick Avory- bateria, percussão
Nick Hopkins- piano, cravo, orgão, harmônio, mellotron
+Rasa Davies: vocais

 Classificação Classic Rock Archives: 4 estrelas

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tim Buckley - Goodbye And Hello

Após um álbum de estréia sólido, numa mistura de folk e rock, Tim Buckley alçou um vôo mais alto em sua carreira com seu segundo álbum, o aclamado Goodbye and Hello. Nesse álbum, Tim Buckley deixa um pouco de lado a simplicidade das músicas entre dois e três minutos que eram norma da época e começa a se utilizar de recursos e estruturas cada vez mais experimentais, que iriam culminar com uma série de álbuns experimentais e pouco comerciais que vieram à seguir, como Happy / Sad, Lorca, Blue Afternoon e Starsailor.

Ainda seguindo com a parceira com Larry Beckett na composição, Tim Buckley traz um misto de folk, rock, psicodelia e influências clássicas também, coisa que não era nada incomum na época em que o disco foi gravado e lançado (1967), mas ao contrário de muitas bandas que ainda estavam no ciclo inicial da revolução da contracultura ao acrescentar instrumentos exóticos e efeitos de estúdio em seus rocks básicos de sempre, Buckley já estava entre os líderes da mudança. E nada melhor do que a faixa título do álbum, que além de chegar quase ao nove minutos de duração e contar com orquestração completa, ainda possui um jogo intrincadíssimo de versos no refrão, onde um padrão é intercalado com frases novas, que se encaixam perfeitamente ao contexto da sequência padrão. Outros momentos experimentais do álbum incluem a totalmente lisérgica Hallucinations, que mistura violões ácidos e efeitos especiais com uma performance vocal melancólica e assustadora.

Outro elemento bastante presente na música de Buckley em Goodbye and Hello é a influência de música tradicional, como Carnival Song, que remete à música popular dos séculos anteriores e a medieval Knight-Errant, ambas com um belo arranjo de órgão or harmônio. A crítica à guerra também se faz presente na faixa bombástica inicial, No Man Can Find the War, e a delicada Once I Was. Aliás, a forma como Buckley alterna delicadas melodias como Once I Was, Phantasmagoria in Two e Morning Glory com músicas mais agressivas como a bem psicodélica Pleasant Street e o lamento folk-ácido de I Never Asked to be Your Mountain dão um toque especial ao disco.

O álbum recebeu boas críticas e teve uma recepção comercial moderada, ajudando a cementar a reputação do jovem cantor como grande promessa do folk rock, reputação que ele faria questão de demolir nos álbuns seguintes com músicas cada vez mais experimentais e baseadas no free-jazz e na música avant-garde. Hoje em dia, Goodbye And Hello costuma ser visto como o melhor da obra de Buckley, ao lado do experimental Starsailor. E é certamente um álbum que merece ser apreciado pelos fãs de folk, rock e psicodelia.

Ficha técnica

Tim Buckley - Goodbye and Hello
1967 - Elektra
Produtor: Jerry Yester

1- No Man Can Find the War (Larry Beckett, Buckley) – 2:59
2- Carnival Song (Buckley) 3:12
3- Pleasant Street (Buckley) 5:17
4- Hallucinations (Beckett, Buckley) 4:53
5- I Never Asked to Be Your Mountain (Buckley) 6:05
6- Once I Was (Buckley) 3:23
7- Phantasmagoria in Two (Buckley) 3:28
8- Knight-Errant (Beckett, Buckley) 1:59
9- Goodbye and Hello (Beckett, Buckley) 8:42
10- Morning Glory (Beckett, Buckley) 2:49

Tim Buckley – vocais, violões, guitarras, vibrafone
Lee Underwood – guitarras
John Farsha – guitarras
Brian Hartzler – guitarras
Jim Fielder – baixo
Jimmy Bond – baixo
Don Randi – piano, cravo, harmônio
Henry Diltz – gaita
Jerry Yester – piano, orgão, harmônio
Carter Collins – congas, percussão
Dave Guard – percussão
Eddie Hoh – percussão

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Lucifer's Friend - I'm Just a Rock 'n' Roll Singer


O Lucifer's Friend é uma banda alemã de hard e progressivo que é injustamente ignorada por muitos fãs do gênero, inclusive os próprios fãs da banda. Não é raro vermos fãs adulando o primeiro álbum da banda e ignorando os demais sem sequer ter o interesse de ouví-los para formar uma opinião. Esse triste fato é algo que a banda não merece, pois vários álbums da banda são muito bons e merecem a apreciação dos fãs de classic rock.

Chegando ao seu terceiro album, o quinteto alemão mudou um pouco o som da banda, diminuindo um pouco o peso do som, agora mais voltado para o rock 'n' roll e influências fusion. O resultado é uma mistura de rock, folk, progressivo e toques de jazz interessantíssima, que certamente agrada quem gostou do trabalho anterior, Where the Groupies Killed the Blues.

Groovin' Stone abre o álbum mostrando uma faceta hard rock similar ao que as grandes bandas do gênero, como Free, Humble Pie e Spooky Tooth, andavam fazendo. A segunda música, Closed Curtains, bebe da mesma fonte, incluindo vocais de acompanhamento feminino. Essas músicas também possuem um toque de Uriah Heep e Deep Purple do meio dos anos 70, que misturavam o hard progressivo do início de carreira com influências mais pop e funk. Preste atenção ao encerramento da Closed Curtains, que é bem interessante.

Em seguida, a banda muda um pouco de direção e solta duas músicas excelentes: Born On The Run, com um trabalho excelente de guitarra e teclados, incluindo uma linha de sintetizador bem marcante. Blind Freedom é um prelúdio para o álbum seguinte da banda pois apresenta o estilo Fusion que iria dominar o álbum Banquet. A música apresenta um ritmo jazz com influências funk e um excelente trabalho de piano elétrico. O segmento instrumental, que inclui solos de piano e metais, é o grande destaque do primeiro lado do vinil original.

O segundo lado começa com Rock 'n' Roll Singer, que é uma música influenciada pelo rock dos anos 50, abusando das cornetas e do piano, com um clima bastante descontraído. O vocalista Lawton iria explorar novamente esse estilo durante sua estadia no Uriah Heep, no fim dos anos 70.
Em seguida vem Lonely City Days, que possui toques folk e jazz, com um belo riff no violão, um piano elétrico atmosférico e com toques de jazz e os melhores vocais do álbum. A música vai incorporando instrumentos elétricos e termina com um ótimo solo de guitarra. A pŕoxima música é Mary's Breakdown, com uma cozinha bem funkeada, toques de folk e um riff de guitarra com distorção. Um segmento instrumental com baixo galopante e um solo de guitarra acelerado dão um toque especial à música, assim como o solo de flauta tocado no sintetizador.

Por fim, a música mais interessante do disco, mais progressiva e, possivelmente, a melhor música de toda a carreira do Lucifer's Friend: Song For Louie. Com um clima bem sombrio, muitas mudanças de ritmo, excelente clima dado pelo piano, mellotron e percussão. A seção instrumental experimental no meio da música é impressionante, com sons sombrios e espaciais extraídos do moog e do mellotron, soando como Tangerine Dream e Pink Floyd na época do A Saucerful of Secrets e Ummagumma. Uma viagem sensacional que sozinha já vale o disco.

A mistura de hard rock, rock 'n' roll e progressivo do quinteto alemão é realmente muito boa e músicas como Blind Freedom, Lonely City Days e Song For Louie estão aí para provar que esse álbum não deve ser negligenciado de jeito nenhum, nem pelos fãs da banda e nem pelos fãs de classic rock de primeira.

Ficha técnica
Lucifer's Friend - I'm Just a Rock 'n' Roll Singer
1973 - Vertigo/Billingsgate

1- Groovin’ Stone (Hesslein/Lawton) 5:15
2- Closed Curtains (Hecht/Fendt/Lawton) 5:55
3- Born On The Run (Horns/Lawton) 3:51
4- Blind Freedom (Hesslein/Lawton) 6:24
5- Rock’n’Roll Singer (Hesslein/Lawton) 4:21
6- Lonely City Days (Hesslein/Lawton) 4:58
7- Mary’s Breakdown (Horns/Lawton) 5:43
8- For Louie (Hesslein/Lawton) 7:14

- John Lawton - vocais
- Peter Hecht - piano, orgão, mellotron, moog
- Peter Hesslein - violão, guitarra, vocais
- Dieter Horns - baixo, vocais
- Joachim Rietenbach - bateria, percussão
+ Herbert Bornhold - percussão

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas

domingo, 23 de agosto de 2009

The Moody Blues - On the Threshold of a Dream


O quinteto inglês, um dos pioneiros do rock progressivo, continuou a sua jornada experimental no mundo da música com o seu terceiro álbum, On the Threshold of a Dream. Justin Hayward, John Lodge, Mike Pinder, Ray Thomas e Graeme Edge mudaram um pouco suas influências para o seu terceiro álbum e o esforço se provou um grande sucesso, atingindo o primeiro lugar no Reino Unido, catapultando a banda, já conhecida do hits anteriores Nights in White Satin e Ride My See-Saw, ao topo, de onde ela não sairia nos próximos anos.

Após um começo no estilo British Invasion e um hit, Go Now, a banda reformulada entrou de cabeça na psicodelia e no nascente gênero do rock progressivo e inovou ao gravar um álbum experimental, conceitual, incluindo poesia, psicodelia, influências clássicas e, sobretudo, sendo o pioneiro na fusão do rock com um orquestra, com Days of Future Passed, que continha os hinos da banda Forever Afternoon (Tuesday?) e Nights in White Satin. Em seguida, abandonando a orquestra, a banda entrou em uma viagem espiritual, repleta de influências orientais em In Search of the Lost Chord.

Já em On the threshold of a dream, a banda voltou-se para influências ocidentais, com músicas experimentais, progressivas, mas que lembravam vagamente o passado Rhythm and Blues da banda. O álbum começa com um som contínuo eletrônico, como se fosse a representação do nada, que acaba transformado em um som maravilhoso extraído do Mellotron, como se fosse uma revelação, a criação. Segue uma música futuristica e filosófica, mantendo a tradição de misturar poesia com música, mas inovando ao dar componentes teatrais, pois a música não é um monólogo e sim uma conversa. Segue a bela Lovely to See You, uma música de Justin Hayward para levantar o humor do ouvinte. Em seguida, uma das melhores canções compostas por Ray Thomas, Dear Diary, com um instrumental dando um clima "noir" e a letra refletindo sobre um dia normal e desinteressante. Seguem duas excelentes composições de Lodge, a bela balada folk, Send Me No Wine e o excelente rock To Share Our Love, cantada com vigor por Mike Pinder. Pinder retorna com a bonita So Deep Within You, com um instrumental meio sombrio, grande uso do mellotron e boas linhas de flauta.

O segundo lado dessa obra começa com a bela composição de Hayward, Never Comes the Day, com belíssimos vocais e um excelente arranjo no violão. Segue o clima bem relaxante de Lazy Day, composição de Thomas com belos arranjos vocais, flauta e mais uma vez reflexões sobre acontecimentos da vida comum. Em seguida o álbum entra em uma viagem mística, primeiro com a bela Are You Sitting Comfortably, de Hayward e Thomas que remete às lendas arturianas. Em seguida, começa a suite definitiva do álbum, com um poema maravilhoso de Graeme Edge, The Dream, com tema surreal, seguido de uma das mais belas canções de amor já feitas, Have You Heard, com um trabalho belíssimo de mellotron. Entre as duas partes desta canção está The Voyage, a viagem instrumental definitiva da banda. Mike Pinder transforma seu mellotron em uma orquestra, literalmente, em uma belíssima peça clássica. O álbum termina com o mesmo som eletrônico contínuo do começo, encerrando um ciclo.

O público fez justiça ao disco e ele chegou ao topo da parada inglesa e foi o primeiro a conquistar a audiência americana, chegando no top 20. Após esse álbum, a banda fundou o próprio selo, chamado Threshold, em homenagem ao álbum. Com certeza uma das obras imperdíveis do ano de 1969, icônico para o classic rock.

Ficha técnica
The Moody Blues - On the Threshold of a Dream
1969 - Deram
Produtor: Tony Clarke

1- In The Beginning (Edge) 2:13
2- Lovely To See You (Hayward) 2:34
3- Dear Diary (Thomas) 3:56
4- Send Me No Wine (Lodge) 2:19
5- To Share Our Love (Lodge) 2:54
6- So Deep Within You (Pinder) 3:01
7- Never Comes The Day (Hayward) 4:43
8- Lazy Day (Thomas) 2:43
9- Are You Sitting Comfortably? (Hayward, Thomas) 3:30
10- The Dream (Edge) 0:58
11- Have You Heard (part 1) (Pinder) 1:40
12- The Voyage (Pinder) 3:58
13- Have You Heard (part 1) (Pinder) 2:32

Justin Hayward - Vocais, violão. guitarra, efeitos
John Lodge - Vocais, baixo, violoncelo
Ray Thomas - Vocais, gaita, flauta, pandeiro
Graeme Edge: Bateria, percussão, vocais
Mike Pinder: Vocais, mellotron, paino, orgão, violoncelo, cravo, efeitos

Avaliação Classic Rock Archives: 5 estrelas

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uriah Heep - Sweet Freedom


Após dois aclamados álbuns lançados em 1972, mais um aclamado e bem sucedido disco ao vivo, a banda inglesa Uriah Heep mudou um pouco a direção do seu som. Pela primeira vez com uma formação completamente estável, os integrantes da lendária banda de Hard Rock/Progressivo abandonaram os temas fantásticos dos dois álbuns anteriores, Demons and Wizards e Magician's Birthday e concentraram-se em temas variados, com uma pegada mais rock que progressiva, ainda que os toques progressivos apareçam frequentemente nos álbuns da banda até o fim da década de 70.

Para mostrar esse direcionamento novo, o álbum já começa com uma paulada rock 'n' roll. Dreamer possui um ritmo energético e Mick Box abusa do wah-wah, sua marca registrada. O órgão também é bem pesado e a música fica densa, com as distorções de guitarra e órgão. David Byron canta com vontade, deixando o ouvinte do álbum ligado. Já a segunda faixa foi a tentativa mais séria da banda de emplacar um hit nas paradas, mas infelizmente essa tentativa não deu tanto certo, pois a letra da música fez com que ela fosse banida das rádios mais conservadoras. Stealing, clássico da banda, começa com um baixo e órgão bem suaves. Byron conta as peripécias do sujeito que está sempre fugindo para salvar sua vida, após se envolver em encrencas com mulheres, brigas e bebidas. Após o refrão, a música entra com um riff bem pesado de orgão, solos de guitarra e a frase clássica "Stealing... when I should have been buying" é repetida inúmeras vezes, até grudar no cérebro do ouvinte. One Day é uma canção mais pesada e sombria, nos moldes dos primeiros trabalhos da banda, com órgão distorcido e guitarra wah-wah gritando alto. Em seguida vem a belíssima Sweet Freedom, com seis minutos e meio de duração, excelente introdução em "crescendo", belíssimas melodias de órgão, guitarra e vocais.

O segundo lado do vinil original começa com uma balada, If I Had the Time, com vocais delicados e uma melodia de sintetizador moog analógico durante toda a música, um grande feito do gênio Ken Hensley. Em contraste segue a pesada Seven Stars, abusando dos efeitos do órgão hammond e com um Lee Kerslake atacando a bateria com força total. Uns toques de wah-wah no refrão, belas melodias vocais dão um colorido especial à música, que termina com Byron recitando o alfabeto (!). Hora de dar uma diminuída no ritmo, e a balada semi-acústica Circus atinge em cheio o objetivo, com um belo arranjo de violão e congas e toques suaves de órgão e guitarra. E para finalizar com chave de outro, a banda encerra com Pilgrim, com mais de 7 minutos de duração, duas partes diferentes, excelente trabalho de piano, orgão, bateria, baixo e guitarra. A música é sombria e recria um clima de batalha na primeira parte e um clima de desolação na segunda, com tons de órgão que só Ken Hensley conseguia obter, solos agressivos de guitarra wah-wah e bateria e baixo destruidores.

Enfim, um álbum para qualquer fã de classic rock, progressivo e hard rock e pode ser incluído no rol dos álbuns essenciais dessa grande banda.

Ficha técnica
Uriah Heep - Sweet Freedom
1973 - Bronze
Produtores Gerry Bron

1- Dreamer (Thain, Box) 3:41
2- Stealin' (Hensley) 4:49
3- One Day (Hensley, Thain) 2:47
4- Sweet Freedom (Hensley) 6:37
5- If I Had the Time (Hensley) 5:43
6- Seven Stars (Hensley) 3:52
7- Circus (Thain, Box, Kerslake) 2:44
8- Pilgrim (Hensley, Byron) 7:10

David Byron - Vocais.
Mick Box - Guitarra, violão.
Ken Hensley - Piano, órgão hammond, moog, guitarra slide, vocais.
Gary Thain - Baixo.
Lee Kerslake - Bateria, percussão, vocais.

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Traffic - Shoot Out at the Fantasy Factory


Depois de um ano meio morno principalmente por causa dos problemas de saúde do líder Steve Winwood, o Traffic voltou aos estúdios para um novo álbum e, em 1973, lançou o que seria o melhor disco feito pela banda. Inspirado fortemente no predecessor The Low Spark of High Heeled Boys, a começar pela capa semelhante, o Traffic evoluir na qualidade das composições. Houve também mudanças de formação, acrescentando a cozinha do famoso Muscle Shoals Studio em substituição a Jim Gordon e Rich Grech que deixaram a banda.

A composição das faixas é dominada pela dupla Winwood e Capaldi, que compuseram todas as faixas juntos, exceto pela excelente instrumental Tragic Magic, composta por Chris Wood, com excelente solos de guitarra e saxofone. Já as demais músicas são bastante ao estilo de Winwood, começando com a pesada Shoot Out at the Fantasy Factory, contando com um riff de guitarra bem pesado, combinado com o ritmo funkeado provido pela percussão. A canção seguinte e a obra-prima da carreira do Traffic. Roll Right Stones, uma canção espiritual inspirada em um monumento neolítico britânico, aos moldes do famoso Stonehenge, é sem dúvida a melhor música da banda, com arranjos perfeitos e uma melodia vocal impecável por parte de Steve Winwood. Essa é uma música que se você escutar com atenção, vai ver como diversos elementos são encaixados na base principal de forma brilhante, criando uma obra-prima. As outras músicas são duas músicas melancólicas. Evening Blue tem excelente vocais por Winwood e um belo arranjo instrumental, baseado no violão, perfeitamente integrado com o baixo e percussão, com a adição de excelentes toques de orgão, saxofone e guitarras. Já (Sometimes I Feel So) Uninspired vai de encontro com o título, contendo um excelente arranjo de piano e orgão, bons solos de guitarra e uma percussão bem integrada com o ritmo da música. Winwood consegue transmitir o clima da música através da sua voz.

1973 foi mesmo um ano muito bom para o Traffic, com essa obra prima e o excelente álbum duplo ao-vivo On the Road, com uma versão matadora de 20 minutos para Glad/Freedom Rider, do também clássico John Barleycorn Must Die que vai ganhar uma resenha em breve no nosso blog. E Shoot Out at the Fantasy Factory, na minha opinião, coroou a carreira dessa excelente banda.

Ficha Técnica

Traffic - Shoot Out at the Fantasy Factory
1973 - Island
Produtores: Steve Winwood, Jim Capaldi

1- Shoot Out at the Fantasy Factory (Winwood / Capaldi) 6:05
2- Roll Right Stones (Winwood / Capaldi) 13:40
3- Evening Blue (Winwood / Capaldi) 5:19
4- Tragic Magic (Wood) 6:43
5- (Sometimes I Feel So) Uninspired (Winwood / Capaldi) 7:31

- Steve Winwood - vocais, guitarra, piano, órgão
- Chris Wood - saxofone, flauta
- Jim Capaldi - percussão, violão, vocais
- David Hood - baixo
- Roger Hawkins - bateria
- Reebop Kwaku Baah - congas, percussão
+ Barry Beckett - teclados
+ Jimmy Johnson - guitarra

Avaliação Classic Rock Archives: 5 estrelas