quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Simon & Garfunkel - Sounds of Silence


Depois de um bom álbum de estréia que passou despercebido pela crítica e pelo público americano, Paul Simon e Arthur Garfunkel desfizeram a dupla que mantinham desde jovens. A dupla parecia fadada ao ostracismo, uma vez que Paul Simon embarcou para a Inglaterra para tentar carreira solo, onde gravou um álbum que também não recebeu muita atenção.

Entretanto, um produtor espertinho resolveu remixar uma música da dupla que estava recebendo um pouco de atenção em algumas rádios americanas. O produtor incluiu baixo, guitarra e bateria na canção Sounds of Silence, para dar um toque mais folk-rock à canção originalmente folk acústica e relançou-a sem a permissão dos artistas. E para a sorte da ex-dupla, essa versão emplacou no mercado americano, fazendo com que Simon voltasse para os EUA a fim de ressucitar a parceria com seu amigo de longa data Garfunkel. Dessa reunião, saiu o álbum Sounds of Silence, que alçou a dupla ao estrelato e se tornou um clássico do folk-rock.

Além da já mencionada Sounds of Silence, o álbum contou com um conjunto de músicas folk tradicionais, folk-rock e até com um pé na psicodelia. Das músicas folk tradicionais, destaque para Kathy's Song, uma homenagem para a namorada de Paul Simon, que preferiu ficar na Inglaterra quando Simon decidiu voltar para os Estados Unidos e encerrou o relacionamento dos dois. Ela seria tema recorrente nas músicas de Simon durante algum tempo. Anji é uma instrumental bem interessante, mostrando todo o talento de Simon com o violão. Há uma seqüência curiosa de duas músicas seguidas sobre o tema de suicídio. Richard Cory tem um clima bem folk-rock de protesto, similar ao Dylan em sua fase eletrificada. Já A Most Peculiar Man é bem mais melódica, com belo arranjo de órgão, violão e vocais, dando um ar bem triste para a música. Já a última música também foi um grande sucesso para a banda, o folk-rock the I Am a Rock.

Com esse disco, os nomes de Paul Simon e Arthur Garfunkel foram marcados na história do rock e eles se tornaram uns dos artistas mais influentes do fim da década de 60.

Simon & Garfunkel - Sounds of Silence
1966 - Columbia
Produtor: Bob Johnston

1- The Sound of Silence (Simon) 3:08
2- Leaves That Are Green (Simon) 2:23
3- Blessed (Simon) 3:16
4- Kathy's Song (Simon) 3:21
5- Somewhere They Can't Find Me (Simon) 2:37
6- Anji (Davey Graham) 2:17
7- Richard Cory (Simon) 2:57
8- A Most Peculiar Man (Simon) 2:34
9- April Come She Will (Simon) 1:51
10- We've Got a Groovey Thing Goin' (Simon) 2:00
11- I Am a Rock (Simon) 2:50

- Paul Simon: vocais, violão
- Art Garfunkel: vocais
- Glen Campbell: guitarra
- Hal Blaine: Bateria e percussão

+ músicos não creditados: orgão, cravo, metais, baixo

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Grateful Dead - Anthem of the Sun


Após o primeiro álbum, psicodélico e experimental, o Grateful Dead queria levar o experimentalismo da banda a outros níveis. Com a inclusão de um segundo baterista, Mickey Hart, e o auxílio de um pianista com ligação avant-garde, Tom Constanten, que eventualmente seria efetivado como membro da banda, a trupe de Jerry Garcia iniciou um trabalho de experimentalismo em estúdio. No início, a experimentação era tão forte que nada de produtivo foi feito e a banda teve que tomar uma abordagem inédita para a criação do clássico psicodélico Anthem of the Sun. A banda ensaiou as músicas, caiu na estrada levando um gravador, gravou versões embrionárias das músicas e retornou aos estúdios para completá-las com inúmeros overdubs. Em algumas músicas, as partes ao vivo são mais identificáveis, enquanto em outras a colagem de sons ficou tão complexa que é difícil dizer o que foi gravado ao vivo e o que foi gravado em estúdio.

De todo esse caos, surgiu um dos álbuns mais interessantes da psicodelia. Anthem of the Sun é um álbum único, com longas jams misturadas a efeitos de estúdio, muitas variações e passagens cuidadosamente compostas. A música de abertura. That's It For The Other One, começa com toques folk, provavelmente em estúdio, descambando em uma jam session ao vivo, com um excelente duelo entre guitarra e orgão e voltando para o estúdio, para adicionar efeitos avant-garde ao final da música. New Potato Caboose também segue a mesma filosofia, com excelentes arranjos instrumentais no início, incluindo belas harmonias vocais. Em seguida, a música descamba para uma Jam Session, com solos impressionantes de guitarra. Born Cross-Eyed vem em seqüência, com belo trabalho de guitarras, orgão e percussão. Ela é curta, principalmente comparada às outras músicas, que tem todas mais de 7 minutos. Em seguida vem Alligator, a maior e mais conhecida música do álbum, que, durante muito tempo, figurou nos concertos da banda. A música é claramente baseada em uma versão ao vivo, com vários overdubs de guitarra, piano e vocais. O trabalho de guitarras é incansável, dando espaço apenas para o solo de bateria. A primeira parte da música é a mais organizada, contendo a letra maluca, arranjos bem elaborados e vários efeitos de estúdio. Em seguida a música também descamba para uma Jam Session, com longos solos de bateria e guitarra. Já a última música, Caution (Do Not Stop On Tracks) é praticamente uma Jam Session, cheia de efeitos de feedback de guitarras, solos e um bom trabalho percussivo.

Enfim, é um trabalho revolucionário e fez com que Garcia remixasse o álbum nos anos 70, para torná-lo mais limpo. Entretanto, foi a versão original que vingou e esse clássico da psicodelia pode ser conferido integralmente, ao contrário do disco seguinte, Aoxomoxoa, que também foi remixado e a versão remixada prevalesceu em todas as reedições posteriores.

Ficha técnica
Grateful Dead - Anthem of the Sun
1968 - Warner Bros. Records
Produtores: Grateful Dead e David Hassinger

1- That's It for the Other One 7:46
- Cryptical Envelopment (Garcia)
- Quodlbiet for Tenderfeet (Garcia/Kreutzmann/Lesh/McKernan/Weir)
- The Faster We Go, The Rounder We Get (Kreutzmann/Weir)
- We Leave the Castle (Constanten)
2- New Potato Caboose (Lesh/Petersen) 8:18
3- Born Cross-Eyed (Weir) 2:04)
4- Alligator (Lesh/McKernan/Hunter) 11:20
5- Caution (Do Not Stop on Tracks) (Garcia/Kreutzmann/Lesh/McKerman/Weir) 9:51

Jerry Garcia - Guitarra, violão, kazoo, vibra slap, vocais.
Bob Weir - Guitarra, violão de 12 cordas, violão, kazoo, vocais.
Ron McKernan - orgão, celeste, clavicórdio, vocais.
Phil Lesh - baixo, trompete, cravo, reco-reco, kazoo, piano, tímpano, vocais.
Bill Kreutzmann - bateria, sinos de orquestra, gongo, carrilhão, crotalos, piano preparado, cimbalos de dedo .
Mickey Hart - bateria, sinos de orquestra, gongo, carrilhão, crotalos, piano preparado, cimbalo de dedo.
Tom Constanten - piano, eletrônicos, piano preparado.

Avaliação Classic Rock Archives: 4 estrelas.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

The Beatles - Rubber Soul


No fim de 1965, a banda mais popular do mundo lançou um novo álbum. O que era pra ser apenas mais um álbum de enorme sucesso tornou-se muito mais do que isso. Os quatro rapazes de Liverpool lançaram seu mais novo álbum, Rubber Soul, que logo de cara se mostrou algo revolucionário. A música dos Beatles sempre evoluiu, desde o início de suas carreiras, mas o salto apresentado em Rubber Soul mudou o panorama da música popular em meados dos anos 60.

Todo o mérito da evolução dos Beatles não recai apenas sobre eles. É sabido que outros músicos estavam abandonando o merseybeat em favor de uma junção do rock com outros estilos. Uma grande influência no som do fab-four foi a mudança iniciada por Bob Dylan. Os Beatles também não ignoravam a cena psicodélia em nascimento nos EUA, absorvendo algumas influências. Mas o impacto da mudança dos Beatles foi enorme pois mostrou para o mundo que se a banda mais popular podia inovar e experimentar, outras bandas também poderiam dar vazão total à sua criatividade e conseguir um espaço para sua música. O maior exemplo da influência de Rubber Soul é Brian Wilson, dos Beach Boys, que foi estimulado a compor e lançar Pet Sounds ao ouvir Rubber Soul, mesmo com a oposição encontrada pelo resto da banda, que preferia manter a fórmula segura de sucesso.

Os destaques do álbum são as músicas Norwegian Wood (This Bird has Flown), incorporando o modo filosófico de Dylan em sua letra e introduzindo o sitar indiano, um instrumento até então desconhecido, no rock. O impacto foi tão grande que por volta de 1967, grande parte dos álbuns psicodélicos tinha obrigatóriamente algum som de sitar. As influências da música indiana também podiam ser vistas nas demais músicas compostas por George Harrison. O resto da banda também inovava com técnicas de produção mais apuradas, como o solo de piano em In My Life e com instrumentos não usuais, como o Harmonium em The Word. Os temas mais sérios e a presença de arranjos mais sofisticados e piano na maioria das músicas mostra que o merseybeat ficou pra trás e que o negócio agora era um som mais elaborado.

O quarteto foi bem sucedido em sua aposta arriscada e influenciou fortemente outras bandas, o que fez com que uma revolução musical surgisse no fim dos anos 60. Além de um álbum excelente, vale pela história.

Ficha Técnica
The Beatles - Rubber Soul
1965 - EMI
Produtor: George Martin

1- Drive My Car (Lennon/McCartney) 2:30
2- Norwegian Wood (This Bird Has Flown) (Lennon/McCartney) 2:05
3- You Won't See Me (Lennon/McCartney) 3:22
4- Nowhere Man (Lennon/McCartney) 2:44
5- Think For Yourself (Harrison) 2:19
6- The Word (Lennon/McCartney) 2:43
7- Michelle (Lennon/McCartney) 2:42
8- What Goes On (Lennon/McCartney/Starkey) 2:50
9- Girl (Lennon/McCartney) 2:23
10- I'm Looking Through You (Lennon/McCartney) 2:27
11- In My Life (Lennon/McCartney) 2:27
12- Wait (Lennon/McCartney) 2:16
13- If I Needed Someone (Harrison) 2:23
14- Run For Your Life (Lennon/McCartney) 2:18

John Lennon - vocais, violão, guitarra, piano elétrico, pandeiro
Paul McCartney - vocais, baixo, guitarra, piano
George Harrison - vocais, guitarra, violão, sitar, pandeiro
Ringo Starr - vocais, bateria, pandeiro, maracas, órgão

+ Mal Evans - órgão
+ George Martin - Harmonium, piano, pandeiro

Avaliação Classic Rock Archives - 4 estrelas

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Kaleidoscope - White Faced Lady


Hoje vamos falar de uma pérola escondida do rock. A banda inglesa Kaleidoscope, usualmente confundida com a banda americana Kaleidoscope e a banda mexicana Kaleidoscope, todas psicodélicas e ativas no fim dos anos 60, pode ser considerada uma das bandas mais azaradas do rock. Por inúmeros motivos, desde falhas na distribuição de discos, chegando ao absurdo dos músicos serem perguntados pelos fãs onde eles poderiam achar os discos da banda, até boicotes e sabotagens em grandes shows, a banda ficou presa sempre à reputação de banda cult, mas mal sucedida comercialmente. E como o mundo da música não premia os talentosos, e sim os bem sucedidos comercialmente, a banda tentou de tudo, até trocar de nome para anular a má reputação, mas eventualmente os músicos tiveram que abandonar a banda e seguir rumos diferentes.

A banda, formada por Peter Daltrey (vocais, teclados), Eddy Pumer (guitarras), Steve Clark (baixo, flauta) e Dan Bridgman (percussão) lançou dois excelentes álbuns sob o nome Kaleidoscope: o álbum de estréia Tangerine Dream, de 1967 e o álbum Faintly Blowing de 1969. Ambos são bons exemplos de psicodelia e folk. Como a banda não conseguia decolar comercialmente, eles mudaram de nome e gravadora, lançando o mais progressivo e folk From Home to Home em 1970, sob o nome de Fairfield Parlour. Outro álbum excelente, mas fracassado comercialmente. Em 1971 eles embarcaram no projeto mais ambicioso da carreira deles, um álbum conceitual, duplo, para ser lançado junto com um livreto que complementava a história do álbum. Como o azar da banda era grande, eles assinaram um contrato onde eles gravavam o álbum e a gravadora depois pagava o valor prometido quando eles entregassem. E nem é preciso ser muito esperto pra adivinhar que eles gastaram fortunas para gravar o álbum e na última hora a gravadora se recusou a lançar o álbum. White Faced Lady, a obra prima da banda, que tinha tudo para lançá-los no estrelado, ficou arquivado durante vinte anos, até que, com o revival dos anos 60 e 70 no começo dos anos 90, a banda viu uma oportunidade para desenterrar o álbum e lançá-lo junto com as reedições dos outros álbuns da banda.

Realmente, é uma grande pena que o álbum tenha demorado tanto para sair e tenha sido lançado almejando colecionadores, pois é uma obra-prima perdida. O álbum consiste em 18 faixas com temas relacionados, contando a história de uma moça chamada Angel, que sofreu com um lar desestruturado na infância, a fama repentina conseguida ao ingressar na carreira artística como atriz e as decepções decorrentes de sua inocência extrema ao lidar com o mundo. A parte instrumental do disco é excelente, potencializada pelos arranjos orquestrais escritos pelo guitarrista Eddy Pumer e executados pela London Symphony Orchestra. O álbum é bem variado, começando pela abertura orquestral, Overture seguida pelas belíssimas Broken Mirrors e Dear Elvis Presley. Ainda na parte mais melódica, Heaven In The Back Row, Burning Bright, White Faced Lady and The Locket são destaques, com arranjos primorosos de violão clássico, piano e vocais. Já Nursey Nursey e All Hail to the Hero representam a parte mais roqueira da banda. E The Indian Head e Song From Jon representam a herança psicodélica da banda, descambando para Jam Sessions, incluindo sitar indiano e flauta na Song From Jon. O álbum flui muito bem, com músicas mais inocentes no início, representando o período inocente e feliz da vida da protagonista da história, passando por músicas mais caóticas e sérias no meio do álbum e músicas tristes ao fim do álbum, criando o clima perfeito para a história. E ainda por cima, o final do álbum é apoteótico, com Epitaph, uma música lindíssima.

Infelizmente esse álbum ficou relegado à colecionadores e é bem difícil e caro consegui-lo, mas vale cada centavo, pois é certamente um dos melhores álbuns de sua época.

Ficha Técnica

Kaleidoscope - White Faced Lady
1991 (gravado entre 1970 e 1971) - Kaleidoscope
Produtor: David Symonds

1- Overture (Daltrey/Pumer) 2:48
2- Broken Mirrors (Daltrey/Pumer) 2:49
3- Angels Song: Dear Elvis Presley (Daltrey/Pumer) 2:39
4- Nursey, Nursey (Daltrey/Pumer) 3:47
5- Small Song - Heaven in the Back Row (Daltrey/Pumer) 3:21
6- Burning Bright (Daltrey/Pumer) 2:03
7- The Matchseller (Daltrey/Pumer) 3:50
8- The Coronation of the Fledgling (Daltrey/Pumer) 2:14
9- All Hail to the Hero (Daltrey/Pumer) 3:09
10- White Faced Lady (Daltrey/Pumer) 4:41
11- Freefall (Daltrey/Pumer) 5:13
12- Standing (Daltrey/Pumer) 1:47
13- Diary Song: The Indian Head (Daltrey/Pumer) 4:25
14- Song from Jon (Daltrey/Pumer) 7:50
15- Long Way Down (Daltrey/Pumer) 4:05
16- The Locket (Daltrey/Pumer) 2:58
17- Picture With Conversation (Daltrey/Pumer) 3:38
18- Epitaph: Angel (Daltrey/Pumer) 7:48

Peter Daltrey - vocais, piano, órgão
Eddy Pumer - guitarras, piano, órgão, sitar
Steve Clark - baixo, flauta
Dan Bridgman - bateria, percussão

+ London Symphony Orchestra - Metais e cordas

Avaliação Classic Rock Archives - 5 estrelas

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Moby Grape - '69


Em 1969, um duro golpe atingiu a banda psicodélica com status cult Moby Grape. O lider da banda, Alexandre 'Skip' Spence deixou a banda. Para os integrantes remanescentes restou a árdua tarefa de manter o nível apresentado nos discos anteriores.

O quarteto restante, mais coeso do que nunca, lançou o álbum Moby Grape '69, com estilos bem variados. O álbum cobre desde o rock psicodélico com o qual a banda estava acostumada, quanto levadas folk, country, blues e hard. O trio harmônico de vocais, que se revezam entre as músicas, cria um efeito muito interessante no disco. Destaque para as belíssimas baladas I Am Not Willing, It's A Beautiful Day Today, esta última que merecia e muito ser um grande hino da era "paz e amor" pela beleza e otimismo contida nela, a psicodelia de Seeing, com guitarras ácidas e efeitos e What's To Choose, com uma belíssima melodia combinada de baixo e guitarra.

O álbum, apesar de curto, tem todo o seu charme e merece um lugar nas prateleiras de todos os fãs do lado mais leve da psicodelia.

Ficha Técnica
Moby Grape - '69
1969 - Columbia
Produtor: David Rubinson

1- Ooh Mama Ooh (Miller/Stevenson) 2:26
2- Ain't That a Shame (Miller/Stevenson/Lewis) 2:28
3- I Am Not Willing (Lewis) 2:58
4- It's a Beautiful Day Today (Mosley) 3:06
5- Hoochie (Mosley) 4:21
6- Trucking Man (Mosley) 2:00
7- If You Can't Learn from My Mistakes (Lewis) 2:33
8- Captain Nemo (Miller/Stevenson) 1:43
9- What's to Choose (Lewis) 1:57
10- Going Nowhere (Miller/Stevenson) 2:01
11- Seeing (Spence) 3:44

Peter Lewis - guitarras, vocais
Bob Mosley - baixo, vocais
Jerry Miller - guitarras, vocais
Don Stevenson - bateria, vocais
Skip Spence - guitarras, vocais, teclados (11)

+ David Rubinson - piano (não creditado)

Avaliação Classic Rock Archives - 4 estrelas

terça-feira, 2 de setembro de 2008

The Byrds - Younger than Yesterday


Younger than Yesterday é o quarto álbum da lendária banda The Byrds e o melhor álbum já feito pelos mestres do folk rock e pioneiros da psicodelia. David Crosby estava no auge de sua criatividade, Chris Hillman também contribuiu positivamente com composições suas, de forma que fez com que a banda não sentisse a saída de Gene Clark, o principal compositor dos primeiros álbuns da banda.

O álbum começa com o grande hit So You Wanna Be a Rock and Roll Star, que faz uma crítica bem humorada das bandas de rock fabricadas dos anos 60. Destaque também para o experimentalismo em CTA - 102, com seu tema futurista, uma marca registrada da banda, e para a psicodélica Thoughts and Words.

Porém, os grandes destaques do disco são a excelente Renaissance Fair, com tema medieval e um refrão marcante "I think maybe I'm dreaming", a sensacional Everybody's Been Burned, com um arranjo delicado jazzístico composto por Crosby, a experiência avant-garde de Mind Gardens, que não foi muito bem recebida por muitos fãs da banda, que continha guitarras ao contrário completamente atonais, soando como sitar indiano e, por fim, a melhor interpretação da banda para uma música de Dylan, em My Back Pages. Essas músicas provam que o Byrds estava no auge. Infelizmente a saída de Crosby durante as gravações do álbum seguinte (The Notorious Byrd Brothers) e a mudança radical para o country rock limitaram o progresso da banda justamente no auge da psicodelia e experimentalismo.

Ficha Técnica
The Byrds - Younger Than Yesterday
1967 - Columbia
Produtor: Gary Usher

1- So You Want to Be a Rock 'n' Roll Star (Hillman/McGuinn) 2:05
2- Have You Seen Her Face (Hillman) 2:40
3- C.T.A.-102 (McGuinn, R.J. Hippard) 2:28
4- Renaissance Fair (Crosby/McGuinn) 1:51
5- Time Between (Hillman) 1:53
6- Everybody's Been Burned (Crosby) 3:05
7- Thoughts and Words (Hillman) 2:56
8- Mind Gardens (Crosby) 3:46
9- My Back Pages (Bob Dylan) 3:08
10- The Girl with No Name (Hillman) 1:50
11- Why (Crosby/McGuinn) 2:45

Roger McGuinn – Vocais, guitarras de 6 e 12 cordas, banjo
David Crosby – Vocais, guitarras
Chris Hillman – Vocais, baixo, bandolim
Michael Clarke – Bateria

+ Clarence White – guitarras (5 e 10)
+ Hugh Masekela – trompete (1)
+ Vern Gosdin – violão (5)
+ Jay - saxofone (4)

Avaliação Classic Rock Archives - 4 estrelas

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Chad Stuart and Jeremy Clyde - Of Cabbages and Kings


A dupla inglesa Chad Stuart & Jeremy Clyde é mais conhecida pelo pop rock dos anos 60, num estilo Peter & Gordon ou Simon & Garfunkel, nas suas músicas mais folk. Porém, 1967 foi um ano de mudanças radicais para esse duo, que quis se livrar da reputação de duo pop e cair de cabeça em um projeto psicodélico ambicioso. Os dois músicos, influenciados pela cena psicodélica de San Francisco, para onde haviam mudado, resolveram adicionar elementos inovadores à música da dupla. Além da instrumentação característica, a dupla resolveu inovar na forma de suas músicas e acabou criando um dos álbuns mais inovadores do ano de 1967, o que é muito valioso, uma vez que 1967 foi o ano que viu álbums como Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, The Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd, Days of Future Passed, dos Moody Blues, Are You Experienced? do Hendrix, Thoughts of Emerlist Davjack do Nice, Disraeli Gears do Cream, Forever Changes do Love, Surrealistic Pillow do Jefferson Airplane (todos que serão resenhados futuramente no blog), entre outros.

Of Cabbages and Kings é um disco excelente de psicodelia, e a primeira música, Rest In Piece, com seus quase 7 minutos, já mostra todo o poder da dupla. A música é folk, com uso de sitar indiano, flautas, teclados e excelentes arranjos orquestrais, totalmente integrados com a música, feitos por Chad Stuart. Essa, aliás, é a característica mais marcante do álbum, pois os arranjos orquestrais estão completamente integrados com a música e são tratados como instrumentos quaisquer, numa versatilidade nunca vista antes no rock. Rest In Piece também tem várias mudanças. Em seguida vêm 5 músicas mais comerciais, mas sendo pops psicodélicos de alta qualidade. As baladas Can I See You e I'll Get Around to It When and If I Can são lindíssimas, enquanto Family Way possui uma letra em forma de piada, sobre um homem que tenta convencer a família da namorada, que não gosta dele, a permitir o casamento dos dois. O que se revela durante a música é que eles tinham que casar pois a namorada estava grávida e quando o pai da moça descobre, oferece passagens aos dois para Moçambique, para não "manchar a reputação" da família.

Mas a verdadeira jóia do disco é a suite de 26 minutos, entitulada The Progress Suite. Dividida em cinco partes, a música possui influências clássicas, folk, psicodélicas e avant-garde. Ela é cheia de orquestrações e colagem de sons, misturadas com rock psicodélico e folk-rock. Sem dúvida é uma música única e mostra como esses caras estavam à frente do seu tempo.

Ficha Técnica

Chad Stuart & Jeremy Clyde - Of Cabbages and Kings
1967 - Columbia
Produtor: Gary Usher

1- Rest In Peace (Stuart) 6:47
2- The Gentle Cold of Dawn (Clyde) 3:50
3- The Busman Holiday (Clyde) 3:23
4- Can I See You ((Clyde) 3:49
5- Family Way (Clyde) 2:45
6- I'll Get Around to It When and If I Can (James William Guercio) 2:34
7- The Progress Suite (Stuart/Clyde)
a. Prologue 5:49
b. Decline 4:07
c. Editorial 2:54
d. Fall 8:33
e. Epilogue 5:05

Chad Stuart - guitarra, violão, banjo, cravo, orgão, tpiano, ukelin, sitar, vocais e arranjos
Jeremy Clyde - vocais, guitarras, percussão

+ músicos de estúdio não creditados: metais, cordas, baixo, percussão

Avaliação Classic Rock Archives - 5 estrelas

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Argent - Ring of Hands


Ring of Hands, o segundo álbum da banda Argent, liderada por Rod Argent, ex-Zombies, é um álbum bastante indeciso. Os dois compositores da banda, Rod Argent (sempre junto com o ex-Zombies Chris White) e Russ Ballard, estavam progredindo em direções diferentes. Após um álbum de estréia coeso, tentando criar uma progressão a partir da obra prima do The Zombies, Odessey and Oracle, o segundo álbum mostra Argent tentando mover-se em direção ao rock progressivo, enquanto Ballard prefere uma abordagem mais hard rock e rock'n'roll.

O resultado final, como esperado, soa um pouco esquizofrênico. Não que o álbum não tenha qualidade, mas não é um álbum que vá se tornar favorito das pessoas. Argent compôs duas músicas progressivas excelentes, a longa Lothlorien, com longos solos de orgão, influências clássicas e toques de jazz e a jazzística e sombria Sleep Wont Help Me. Entretanto, ele também compôs o ponto baixo do disco, o comum blues de Sweet Mary. Já Ballard não saiu muito da fórmula hard rock, com destaque para Cast Your Spell Uranus, com uma letra risível, mas com um arranjo mais elaborado. As demais músicas compostas pelo Argent ficam entre um tímido progressivo e um pop psicodélico.

Enfim, esse é um álbum razoável, mas o Argent mesmo possui álbuns melhores, sem contar o grande clássico do The Zombies. Vale a pena mais pra quem já conhece e curte a banda.

Ficha Técnica

Argent - Ring of Hands
1971 - CBS

1- Celebration (Argent/White) 2:55
2- Sweet Mary (Argent/White) 4:06
3- Cast Your Spell Uranus (Ballard) 4:31
4- Lothorien (Argent/White) 7:50
5- Chained (Ballard) 5:19
6- Rejoice (Argent/White) 3:46
7- Pleasure (Argent/White) 4:52
8- Sleep Won't Help Me (Argent/White) 5:11
9- Where Are We Going Wrong (Ballard) 4:10


Rod Argent - piano, orgão, vocais
Russ Ballard - vocais, guitarras, piano
Jim Rodford - baixo, guitarras, vocais
Robert Henrit - bateria, percussão

Avaliação Classic Rock Archives - 3 estrelas

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

The Beatles - Abbey Road


Falar dos Beatles é sempre um grande prazer. Apesar de eles já terem sido amplamente discutidos nos últimos 40 anos, nunca é demais uma palavra sobre esse fantástico quarteto que certamente ficarão marcados na história como os grandes artistas do século XX.

Vou começar falando pelo último disco deles, que considero uma obra-prima. Apesar de lançado antes de Let It Be, Abbey Road foi gravado após a gravação do Let It Be. E a banda entrou no estúdio com a consciência de que o álbum provavelmente seria o último deles, depois dos desgastes nas sessões de gravação do mal fadado documentário Let It Be. Difícil imaginar que a banda, com tanto desgaste, conseguisse fazer um dos discos mais unidos e equilibrados da banda, com uma qualidade nunca vista antes.

A produção impecável de George Martin e músicas excelentes, com excelentes arranjos instrumentais e orquestrais. As músicas mais conhecidas do álbum são as duas baladas de George: Something e Here Comes The Sun, ambas com belos arranjos de guitarra e orchestra. O experimentalismo aparece forte em I Want You, com direito a Moog e um fim de mais de 3 minutos totalmente instrumental. Because e You Never Give Me Your Money são duas jóias do disco, a primeira com belíssimo cravo e arranjos vocais e a segunda com todas suas mudanças de ritmo e tempo. Mas o melhor do disco são as seqüencias Mean Mr Mustard/Polythene Pam/She Came In Through the Bathroom Window e Golden Slumbers/Carry That Weight/The End, com excelentes arranjos e uma dinâmica incrível.

Na minha opinião, essa é a obra prima do quarteto de Liverpool. Recomendado para todos os fãs de rock.

Ficha Técnica

The Beatles - Abbey Road
1969 - Emi
Produtor: George Martin

1- Come Together (Lennon/McCartney) 4:21
2- Something (Harrison) 3:03
3- Maxwell's Silver Hammer (Lennon/McCartney) 3:27
4- Oh, Darling (Lennon/McCartney) 3:27
5- Octopus' Garden (Starr) 2:51
6- I Want You (She's So Heavy) (Lennon/McCartney) 7:47
7- Here Comes the Sun (Harrison) 3:05
8- Because (Lennon/McCartney) 2:46
9- You Never Give Me Your Money (Lennon/McCartney) 4:02
10- Sun King (Lennon/McCartney) 2:27
11- Mean Mr. Mustard (Lennon/McCartney) 1:06
12- Polythene Pam (Lennon/McCartney) 1:13
13- She Came In Through the Bathroom Window (Lennon/McCartney) 1:57
14- Golden Slumbers (Lennon/McCartney) 1:32
15- Carry That Weight (Lennon/McCartney) 1:37
16- The End (Lennon/McCartney) 2:20
17- Her Majesty (Lennon/McCartney) 0:23

John Lennon - Vocais 1, 6, 8, 10, 11 e 12, guitarra, baixo, violão, piano, piano elétrico, orgão, cravo, maracas, palmas
Paul McCartney - Vocais 3, 4, 8, 13, 14, 15, 16, e 17, baixo, guitarrra, piano, harmonium, palmas
George Harrison - Vocais 2, 7, 8, guitarra, violão, orgão, sintetizador Moog, palmas, pandeiro
Ringo Starr - Vocais 5, bateria, pandeiro, bongos, maracas, palmas, bigorna.

+ George Martin - Orgão e arranjos
+ Músicos de estúdio - Metais e Cordas

Avaliação Classic Rock Archives - 5 estrelas

terça-feira, 15 de abril de 2008

Classic Rock Archives

Olá

O objetivo desse espaço é funcionar como um arquivo de bandas de Classic Rock, com discografia, informações da banda e resenhas. Enfim, um cantinho para se conhecer mais sobre rock.

Até mais